A maioria das explicações sobre codebook para na definição: uma lista de categorias com seus códigos. Isso é o livro de códigos como estrutura, e explicamos em Livro de códigos: o que é e como se constrói. Este artigo trata da outra metade: o documento de trabalho que quem codifica abre todo dia e o que cada entrada precisa ter para que duas pessoas codifiquem a mesma resposta do mesmo jeito.

Se você já herdou o codebook de uma onda anterior e encontrou um código chamado "Atendimento 2" sem definição, já sabe por que isso importa.

Os campos de cada código

Uma entrada que só tem nome é um rótulo, não uma instrução. O mínimo para outra pessoa aplicar o código sem tê-lo escrito:

  • Número do código. Um inteiro estável. É o que vai parar no arquivo SPSS, então não se reutiliza nem se renumera entre ondas.
  • Rótulo. Curto e nas palavras que o cliente usaria num slide: "A entrega demorou demais", não "Logística".
  • Categoria (e subcategoria, se você usar). O grupo em que o código é somado no relatório.
  • Definição. Uma ou duas frases sobre o que pertence ali.
  • Exemplos. De três a cinco verbatims reais, com pelo menos um duvidoso.
  • Sentimento ou direção, quando o estudo reporta isso.

Um exemplo completo

Uma entrada de um codebook para a pergunta "O que poderíamos fazer para melhorar sua experiência?" num estudo de satisfação de varejo:

CampoValor
Código14
CategoriaEntrega
RótuloA entrega foi lenta ou atrasou
DefiniçãoO respondente reclama do tempo que a entrega levou ou de que não chegou na data prometida.
Exemplos"Dizia 2 dias e levou uma semana." · "Chegou depois do evento para o qual comprei."
Não incluiChegou danificado (código 16). Grosseria do entregador (código 21). "O frete é muito caro" (código 12).

A última linha é a que quase todo modelo omite, e a que evita a maior parte das discordâncias. Dois códigos vizinhos só se separam se cada um diz o que fica com o outro.

Regras para casos-limite: a parte que cresce

Um codebook não está pronto quando você o escreve. Por volta da segunda semana de codificação surgem decisões que pertencem ao documento: "uma resposta que cita um funcionário específico da loja vai em Atendimento, não na categoria do funcionário". Se essa decisão vive só na cabeça de alguém, o próximo codificador, ou a próxima onda, vai decidir diferente.

Registre-as numa lista curta e datada no fim do codebook, ou como instrução associada à pergunta. No Survey Coder Pro cada pergunta tem um campo de instruções de codificação em texto livre, repassado ao modelo, que é o lugar certo para regras assim: elas se aplicam a cada resposta, não ficam só na memória.

O código Outros

Todo codebook precisa de um código coringa, e de uma regra para ele. Duas decisões para deixar por escrito: qual é o número dele (muitas equipes fixam um, como o 98, para que seja igual em todos os estudos) e que parcela das respostas ele pode acumular antes de ser tratado como sinal de que falta uma categoria. Se for uma parcela grande, o problema é o codebook, não os respondentes.

Versões entre ondas

Num estudo de acompanhamento, o codebook é o instrumento. Três regras o mantêm estável:

  1. Acrescente, não renumere. Um tema novo ganha um número novo no fim da categoria. Os códigos antigos mantêm o seu.
  2. Aposente, não apague. Um código que ninguém usou nesta onda continua no arquivo, para que a série tenha um zero e não um buraco.
  3. Registre o motivo. Uma linha de histórico basta ("onda 9: incluído 31 'Preço da assinatura'").

Como isso vira ferramenta

No Survey Coder Pro o codebook é por pergunta e pode vir de três lugares: gerado a partir de uma amostra das respostas reais, importado de um Excel que você já tem, ou escrito à mão. Na importação você mapeia as colunas (Categoria, Rótulo, Código e, opcionalmente, Subcategoria, Definição e Exemplos), e o arquivo pode ser guardado no nível do estudo para que todas as ondas o reutilizem. Um codebook pode ser marcado como estrito, o que impede o modelo de propor códigos novos durante a revisão, para os estudos em que a estrutura não pode mudar. Outra pessoa pode revisar os códigos por um link: pode aprovar ou pedir alterações e comentar códigos individuais, e só a primeira decisão de cada link é registrada, então convém enviar um link por rodada. O codebook finalizado é baixado em Excel, escolhendo quais colunas incluir.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre codebook e dicionário de dados?

Um dicionário de dados descreve as variáveis de uma base: nomes, tipos, rótulos de valores. O codebook de perguntas abertas descreve as categorias usadas para codificar o texto, com definições e regras. Num arquivo SPSS entregue, o codebook aparece como rótulos de valores dentro do dicionário de dados.

Quantos exemplos cada código deve ter?

De três a cinco. Um deve ser um caso duvidoso, porque é a resposta que faz quem codifica hesitar.

Posso partir de um modelo pronto?

Pode, mas leia de cinquenta a cem respostas reais antes de considerá-lo final. Um codebook escrito só a partir do questionário perde os temas que os respondentes de fato levantam.

Quem deve aprovar o codebook?

Em trabalho de agência, em geral o cliente ou o líder do projeto, antes de começar a codificar. Mudar um código antes de aplicá-lo a duas mil respostas custa muito menos.

Próximos passos

Para a definição e a diferença em relação ao codeframe, leia Livro de códigos: o que é e como se constrói. Se quiser ver um codebook gerado a partir do seu próprio texto, a ferramenta gratuita de codificação aceita até 100 respostas e devolve o codebook em Excel, sem criar conta.